Saudade de Deus

Devocionais
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Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. (Salmos 42.1)

A falta de água e uma ausência sentida apertam as mãos no árido desse poema. Desse gemido de corça. Dessa saudade selvagem de Deus. O poeta perdeu quase tudo: sua ligação com a terra de Israel, o convívio com as pessoas que ama, a liberdade, a alegria de estar no Templo. Exilado, o salmista sentia Deus na ausência sentida de Deus. Sentia Deus na saudade. Por isso, tudo na vida do poeta grita: Deus. Deus está escondido. Deus está revelado. No sangue e na pele do salmista. Às vezes, temos a impressão de que Deus está ausente de nossa vida. Às vezes, nos sentimos sozinhos e fracos e indefesos e impotentes frente aos machucados do mundo. Às vezes, a saudade tem gosto de pedra. Às vezes, o abraço da solidão parece o mais apertado que recebemos.

Nesses momentos oramos com o poeta: Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu (v.11). 

 
Danilo Lago, IPI de Guaianases-SP, presbítero.