Missões na América Latina foi o tema da 29º Conferência Missionária da IPI do Ipiranga

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"Se você conhece o mundo a partir de uma visão missionária terá um encontro com a realidade. A missão nos abre os olhos e nos faz ver como Jesus viu, viver como ele viveu, ir como ele foi", assim Valdir Steuernagel abriu a 29ª Conferência Missionária realizada nos dias 16 e 17 de setembro na Igreja Presbiteriana Independente do Ipiranga, em São Paulo.

 

Valdir, que é pastor da comunidade Redentor, em Curitiba (PR) e, dentre outros títulos, é doutor em Missiologia pela Escola Luterana de Teologia de Chicago (EUA), foi o preletor nos dois dias de conferência que teve como temática América Latina e o compromisso missionário. Nos dois dias, discutiu-se, dialogou-se e se aprendeu sobre a importância das Missões na América Latina, por meio de projetos e ações de ministérios. 

Pr. Valdir Steuernagel, preletor da conferência e Pr. Raphael Trindade, pastor da IPI do Ipiranga

Pr. Valdir Steuernagel, preletor da conferência e Pr. Raphael Trindade, pastor da IPI do Ipiranga

Para Valdir, a grande marca do ministério de Jesus foi andar, e andar em pequeno lugarejos e vilas. "Jesus não gastou seu tempo em grandes cidades da Judeia", afirmou Steuernagel. "Jesus saiu da eternidade e de sua cômoda posição dentro da Trindade para encarnar e assumir a promessa messiânica; ir a lugares da Galileia em missão lhe dada por Deus (Missio Dei)”, disse Valdir.

No primeiro dia de conferência Valdir utilizou como base, entre outros, o Livro de Lucas 7.11-17. “A caravana de morte no livro de Lucas, encontra a caravana de vida, de Jesus”, sintetizou.

Depoimentos

No primeiro dia da Conferência um dos destaques foi a sequência de depoimentos de três missionários: o pastor paulistano Ricardo Wesley Borges, missionário no Uruguai por sete anos; o chileno Pedro Valenzuela, obreiro da Aliança Biblica Universitária do Brasil (Abub); e o pastor venezualeno Felix Cobos, diretor da missão World Horizon no Brasil. Eles falaram sobre suas conversões, mas principalmente sobre as pedras do caminho do missionário: pressão social, falta de recursos materiais e humanos, precariedade no uso da linguagem sendo estrangeiros em outros países. "Para ser missionário é preciso ser radical, fugir do status quo. O trabalho no campo requer desprendimento, revolução", afirmou Felix.

2 Mesa RedondaMesa Redonda

 

"Precisamos voltar a ser criança. Temos que esquecer o que aprendemos, questões culturais, códigos de linguagem, não podemos criar expectativas. Para sermos missionários só devemos esperar em Deus", ponderou Borges.

Segundo dia

A decoração do templo com cores vivas, o artesanato e objetos da cultura de países latino-americanos deram um ar transcultural à manhã de domingo.

A arte cênica

A arte cênica e a música autoral cristã permearam o segundo dia da 29ª Conferência Missionária. Os jovens músicos Adriano Franco e Rodrigo Franco apresentaram três composições autorais. Um pouco antes, membros da IPI do Ipiranga encenaram – vestidos a caráter tal qual chefes de Estado – uma reunião nas Organizações das Nações Unidas. Na narrativa, as grandes divergências políticas, as diferenças ideológicas e o desentendimento entre líderes de países latino-americanos. Em meio à cena, um contraponto: crianças e jovens entram na história, inserem a palavra do evangelho às nações e levam os chefes de estado fictícios e a igreja à reflexão.

 

Conferência InfantilConferência Infantil

 

Mesa redonda

No segundo dia uma mesa redonda com lideranças missionárias prendeu a atenção da igreja . Willy Menezes, que atua no Missões Portas Abertas, Natalícia Torres, da Missão Antioquia e o pastor Ricardo Nogueira da Missão Ambassadors compuseram a mesa. O espaço serviu para troca de experiências dos representantes junto aos membros da comunidade. Como atributo para uma pessoa ser missionária uma ótima definição foi proposta por Menezes: "Ser crente em Deus e ter um coração disposto a servir".

Privilégio e semelhança

O preletor Valdir Steuernagel retomou a essência da temática da Conferência recorrendo ao Livro de Atos 8.26-40, do trecho entre Felipe e o eunuco etíope. "Então Felipe, começando com aquela passagem da Escritura, anunciou-lhe as boas novas de Jesus (Atos 8-35)”, leu Valdir. E emendou: "Felipe batizou-o e seguiu o seu caminho levando a palavra, continuando sua missão", completou. O orador Steuernagel fez recortes impactantes da palavra e de sua larga vivência cristã. Ele instigou a imaginação dos ouvintes com a metáfora: “Deus caminha para fora do Mapa...”

Para Valdir, que é membro do movimento Lousanne pela Evangelização Global, a missão não é fardo, nem individual, nem coletivo. "A missão é a tarefa vital da igreja e é um privilégio. Um convite de Deus para que participemos do Reino. Missão é uma experiência de transformação. E nela, se não formos transformados e parecermos com Jesus, é melhor nem ir...". Questionado se então poderíamos considerar Jesus o primeiro e o grande missionário ele respondeu: “O segundo, porque Ele é o Filho. O primeiro é o próprio Deus".

 

por Paulo Roberto Von Atzingen
Jornalista e membro da IPI do Ipiranga