Pastoral da Diretoria da IPIB

Palavra da Diretoria
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Quando os justos governam, o povo se alegra, mas quando o ímpio domina, o povo geme.
Quem é cumplice de ladrão odeia a si mesmo, e não denunciará nada, mesmo sob juramento.
Pv 29.2,24 (Almeida Séc. 21)

Estamos vivenciando um dos momentos mais difíceis da vida política no Brasil. Todos os dias, quase que invariavelmente, as denúncias de corrupção, as cenas de prisões, as notícias de indiciamento de figuras políticas invadem o nosso cotidiano, assumindo um caráter de rotina. Paralelamente os sentimentos de descrédito, de desânimo firmam a convicção de que tudo está apodrecido e não há esperança. Aqueles que deveriam primar pelo respeito e seriedade no trato com os bens públicos agem inescrupulosamente e, quando apanhados em flagrante delito, negam com uma convicção angelical. Bem verdade que a corrupção que assola este país não é mérito dos últimos governos nem exclusividade de algum partido. O Pe. Vieira, no seu célebre sermão pronunciado no Hospital da Misericórdia (Salvador – BA – 1640), lamentava a voracidade de alguns ministros diante dos bens públicos. Embora esse câncer que desvia recursos públicos vitais venha de longa data, não significa que devemos considerá-lo normal e irremediável.

Os últimos acontecimentos envolvendo o Presidente da República lançaram o país numa crise sem precedentes, retirando dele qualquer possibilidade de permanência no cargo. Por outro lado, as alternativas em termos de nomes para sucessão não são animadoras, uma vez que vivemos uma grande escassez de liderança política. As propostas em curso até o momento para solução estão também profundamente marcadas pelos interesses partidários e imediatistas. Não podemos novamente ser vítimas de salvadores da pátria e oportunistas. O respeito às regras estabelecidas pela Constituição é fundamental, sob pena de criarmos um ambiente de incerteza institucional. Precisamos ainda estar alertas para possíveis acordos em nome da estabilidade que no fundo tenham apenas o objetivo de salvar algumas cabeças e frear as investigações em curso.

Enquanto isso, a crise econômica se acentua, milhões de brasileiros já perderam seus empregos, e outros tantos ainda correm o risco de aumentar essa triste estatística, ampliando o sofrimento de nossa nação. Portanto, diante dessa difícil situação, necessitamos de discernimento, serenidade e sobretudo algumas atitudes práticas:

  • Orar e orar muito por este país, pois este é um princípio permanente (1Tm 2.1-3).
  • Acompanhar criteriosamente os acontecimentos, procurando fugir das polarizações tão comuns nas redes sociais, onde se repetem frases e informações cuja veracidade carece de fundamento.
  • Que todas as nossas manifestações de repúdio, sejam elas de que forma for, não enveredem nem compactuem com a violência ou vandalismo.
  • Não esquecer que nosso compromisso absoluto como cristãos não é com um partido, ou lideranças, mas com valores do Reino de Deus, tais como a verdade, justiça, paz, respeito, caráter sagrado da vida humana, etc.
  • Lutar para que medidas efetivas contra a corrupção sejam aprovadas e a impunidade não seja mais o desfecho tão comum neste país.

Na esperança do Reino,
Diretoria da IPI do Brasil